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Quando viveremos de fato a Páscoa que almejamos?

Irmãos e Irmãs, Nosso país precisa ser explicado até para nós brasileiros. Qualquer observador atento fica extremamente confuso com a forma como funcionam os mecanismos de nossa sociedade. Olhamos ao nosso redor e as cenas causam-nos ainda mais estupefação. O nosso cotidiano se transforma a cada dia numa rotina de violência institucional. Há uma percepção de que a banalização da violência anestesia nossos sentimentos e ficamos com aquela sensação de que o melhor a fazer é “abstrair e fingir demência” . A rotina de chacinas, mortes e tiroteios nas grandes capitais e nas favelas e periferias apontam para uma situação que pode se tornar incontrolável. A maneira como a justiça age seletivamente com algumas pessoas, enquanto condena outras sob condições intoleráveis envergonha qualquer um que tenha um senso de segurança jurídica. A articulação de forças políticas violentas cada vez mais ativas denunciam o profundo estado de polarização política que ameaçam inclusive o desfecho das eleiçõe…
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Meditações da Semana Santa: Sábado Santo

O Sábado Santo tem uma particularidade muito especial. É um hiato que nos provoca sentimentos muito particulares que resumem um pouco o já feito e o ainda não. Na liturgia de ontem, encerramos com o sepultamento do Senhor. Um descanso digno para quem sofreu os horrores da crucifixão. O mundo parece ter entrado neste hiato com um misto de dor, de saudade, mas também de expectativa de que o silêncio do túmulo será quebrado de maneira muito especial. A palavra de Deus é palavra de vida e prevalecerá contra as forças da morte.


A Deposição de Cristo Caravaggio (c. 1603)

Cristo com José de Arimateia Giovanni Savoldo (c.1525)

"Chegou José de Arimateia, senador honrado, que também esperava o reino de Deus, e ousadamente foi a Pilatos, e pediu o corpo de Jesus.
E Pilatos se maravilhou de que já estivesse morto. E, chamando o centurião, perguntou-lhe se já havia muito que tinha morrido.
E, tendo-se certificado pelo centurião, deu o corpo a José;
O qual comprara um lençol fino, e, tirando-o da …

Meditações da Semana Santa: Sexta-feira santa

Após a angustiante experiencia no jardim, Jesus enfrenta o dia de sua paixão na forma como Isaías o descreveu tão bem no canto do Servo Sofredor. Caminhemos com Jesus neste dia e reflitamos sobre o quanto estamos longe de valorizar tanto amor por nossas vidas.
Também é uma oportunidade de nos conscientizarmos o quanto o sofrimento de Jesus é vivido diariamente por tantas pessoas, especialmente as pobres, desamparadas e excluídas de nossa doente sociedade.

Os poderosos de ontem são os mesmos de hoje. Sejam os que dominam as estruturas de poder, sejam aqueles que dominam as estruturas religiosas de alienação. Os poderosos são infalíveis em condenar qualquer um que ouse questionar a lógica do domínio e da exploração. E este confronto vai às raias do assassinato, como bem sabemos que aconteceu com Jesus.
Na nossa proposta de meditação pela arte, apresentamos algumas pinturas que retratam os momentos da prisão, condenação e o caminho até o Calvário. Aproveitemos estas representações para m…

Terceira Meditação da Quinta-feira Santa: A agonia do Getsemani

Em muitas partes dos Evangelhos a afirmação da humanidade de Jesus é inequívoca. Sentimentos e reações em diversas circunstâncias nos asseguram o quanto de nossa humanidade foi assumida pelo Filho de Deus. Muitos momentos críticos foram enfrentados; seja na relação com as pessoas que não o reconheciam como enviado de Deus e até mesmo na relação com as pessoas que o reconheciam como tal mas que traíram a sua confiança.

Desde a tentação no deserto, Jesus sempre encarava esses momentos críticos com a oração. Mas na noite em que se revelou como quem inaugurava a Nova Aliança aos seus amigos, ainda restava um desafio: suportar o peso de todos os pecados do mundo e ainda assim dizer ao Pai que não ia cair na tentação de fazer a sua própria vontade.

Na arte religiosa, a representação da agonia do Senhor é um momento pedagógico para se entender todas as qualificações de quem seria moído pelas iniquidades da humanidade inteira. Gastemos um tempo para meditar sobre esta representação artística …

Segunda meditação da Quinta-feira Santa: Instituição da Eucaristia

Um das mais representadas imagens da arte e iconografia sacras é a da Última Ceia.
Se nos dedicássemos a interpretar detalhadamente cada representação ao longo da História, nos depararíamos com perspectivas tão distintas e tão particulares na mesma proporção do número de seus autores e suas autoras.

Esta representação, da autoria de Fra Angelico (c. 1440), se encontra em Firenze, no convento de San Marco. A cena parece reproduzir a ministração do sacramento da comunhão num ambiente que lembra um refeitório de um convento. Cada apóstolo é identificado com gestuais distintos.  Oito apóstolos estão sentados por trás da mesa e quatro estão ajoelhados e mais próximos do espectador. Entre eles é possível perceber que Judas é o que tem o halo escurecido. Algo completamente diferente é a presença da Virgem Maria na cena.


"E, comendo eles, tomou Jesus pão e, abençoando-o, o partiu e deu-lho, e disse: Tomai, comei, isto é o meu corpo" Mc 14,22

Meditação

O que a cena retratada nos evoca? …

Meditações na Semana Santa através da arte e da iconografia: Quinta-feira Santa

Após a vivência da comunhão e do aconchego confortador da família de Marta e Maria em Betânea, Jesus sai para a sua jornada final que o levará à morte. Lendo nesta perspectiva, o movimento de Betânea para Jerusalém é um esquema que de certa forma nos lembra o movimento da Igreja: quando nos reunimos como povo de Deus, vivemos o consolo de sua Palavra e de seu Sacramento e saímos para a missão. Jesus e seus discípulos fizeram isso repetidas vezes nestes dias. Agora a missão terá seu cumprimento definitivo e Jesus está preparado para ela.

O dia começa com a preparação da ceia pascal. A preparação do cenáculo exige cuidado, carinho e está carregada de muita emoção. Ali, no ambiente de celebrar a memória da libertação do povo de Deus, assistiremos uma conversa e um gestual que marcarão a comunidade dos discípulos e discípulas para sempre.

O dia de hoje nos exigirá expor algumas representações diferentes. Ao longo do dia, estaremos meditando, em momentos diferentes as distintas cenas que r…

Meditações na Semana Santa através da arte e da iconografia:Quarta-feira Santa

De acordo com os relatos dos evangelistas, não se identifica nenhuma atividade de destaque atribuída a Jesus na quarta-feira. Por essa razão, muitos chamam este dia como o dia do silêncio. Jesus permanece em Betânia e os seus discípulos começam a preparar a celebração da Páscoa para todo o grupo.
Um dia de descanso e de preparação para a sua própria Páscoa, para se oferecer ao Pai em sacrifício pelo mundo. Um dia de privar da intimidade desta família que acolhe a Jesus e seus discípulos durante aqueles dias intensos. Interessante notar o paralelo entre o templo e a casa de Lázaro, Marta e Maria. Naquele, a religião elaborada e sistematizada, pesada e pomposa. Nesta, a intensidade do relacionamento, da amizade e da informalidade. Um modelo que vai caracterizar o início das primeiras comunidades cristãs.


Joahnnes Vermeer (c.1655) Jesus, Marta e Maria

Meditação Observe a imagem e reflita sobre o que elas evocam em você. Observe as expressões das pessoas e medite sobre o que o autor desej…

Meditações na Semana Santa através da arte e da iconografia: Terça-feira Santa

Após mais uma noite na casa dos amigos em Betânea, lugar de descanso e de paz, Jesus e seus discípulos retorna para Jerusalém e à sua espera estão os líderes religiosos da teocracia e do Templo para indagá-lo com vistas a encontrarem nele a blasfêmia tão esperada para justificar a sua prisão. Neste contexto estabelece-se um confronto de perspectivas que vai aprofundando a distância entre o projeto de Jesus e o projeto das elites religiosas amparadas no binômio Templo e Sacerdócio colaborativo com o Império colonialista.

Separei duas figuras para reflexão sobre as falas de Jesus neste diálogo com as lideranças religiosas, começando com a parábola dos vinhateiros maus e  na sequência, o quadro de Giotto, retratando a tratativa da traição de Judas.  Quadros que são fortes em revelar o quanto Nosso Senhor antevia claramente o que estava para lhe acontecer. E como o se projeto não foi compreendido pelos que o seguiam. A compreensão vai se dar depois do evento da Ressurreição.



Maarten van V…

Meditações na Semana Santa através da arte e da iconografia: Segunda-feira Santa

Na cronologia dos relatos da última semana de Jesus temos, após a entrada em Jerusalém, sua atenta observação a tudo que acontecia em torno do Templo. Certamente muita agitação em torno das peregrinações para a celebração da Páscoa no centro nervoso da religião. Ele retorna com seus discípulos para Betânea e, no dia seguinte, retorna a Jerusalém. Dois episódios são relatados: A maldição da figueira e a expulsão dos mercadores do Templo. No primeiro, Jesus possivelmente apontava para o descontentamento com um sistema religioso que estava estéril e que enganava a muitos por uma aparente folhagem. No segundo, Jesus revela a sua indignação contra a mercantilização da religião, desenvolvida com a completa omissão de quem devia zelar por ela.



Pintura de Ganesh Shegoy

Giandomenico Tiepolo (c. 1750)


"E, vendo de longe uma figueira que tinha folhas, foi ver se nela acharia alguma coisa; e, chegando a ela, não achou senão folhas, porque não era tempo de figos.
E Jesus, falando, disse à figue…

Meditações da Semana Santa através da arte e da iconografia: Domingo dos Ramos

Liturgicamente esta festa marca o início da Semana Santa e é a mais intensa das semanas do ano na perspectiva das celebrações do Ano Cristão.

Remonta de longe esta celebração, em torno do séc. IV com as peregrinações que os cristão de Jerusalém faziam, saindo o Monte das Oliveiras e e, procissão, entravavam em Jerusalém conduzindo os seus bispos montados em jumentos para as celebrações da Semana Santa. Um ritual que tinha muito a ver com o período Constantino do Igreja, com toda a pompa própria de cortejos reais.

Na verdade, isso vai sendo assumido nos séculos posteriores pela chamada Igreja Latina e segue, com algumas adaptações, até os dias de hoje. A benção de Ramos e a distribuição para os fiéis para a procissão se estabelece em torno do séc. VI.


Giotto di Bondone (c. 1305)
"E levaram o jumentinho a Jesus, e lançaram sobre ele as suas vestes, e assentou-se sobre ele.
E muitos estendiam as suas vestes pelo caminho, e outros cortavam ramos das árvores, e os espalhavam pelo caminh…